quinta-feira, 29 de julho de 2010

A vivência do Satya




Satya é o Yama da verdade. A verdade que deve ser dita sem agressão ou ofensa a alguém.

Vivenciar o Satya foi uma tarefa bem mais complexa do que eu esperava. Exigiu vigilância constante dos pensamentos, já que temos uma tendência pronta para contar pequenas mentiras no cotidiano. São mentiras aparentemente inofensivas, mas ditas o tempo todo: uma justificativa de atraso, um motivo inventado para dizer um não a alguém; o porquê para se recusar um convite, e por aí vai.

Ao longo do dia, me deparei com inúmeras situações que exigiam flexibilidade, mas que para solucioná-las mais facilmente, eu optava por contar uma mentira. Isso me levou a refletir que embora eu estivesse resolvendo a situação, eu estava me afastando dos meus propósitos, buscando atalhos para contornar situações, evitando ‘’incomodações’’.

Por isso, para estar o mais próxima possível da verdade, foi preciso aprender a dizer NÃO, de maneira educada, mas firme. Percebi que grande parte das minhas inverdades diárias decorre da vontade que tenho de não desapontar as pessoas. E perceber isso me levou reavaliar como me conduzo os meus relacionamentos diários. A imagem que eu quero que as pessoas tenham a meu respeito.

Com isso percebi que a mentira, mais do que prejudicar o próximo (premissa inquestionável), nos afasta de quem nós somos de fato. Das nossas verdades. E se ser é existir dentro do que fazemos, sempre que contamos uma mentira deixamos de ser nós mesmos, de existir dentro dos nossos propósitos, passando a permanecer fora dos objetivos.

Assim, vivenciar este Yama me permitiu compreender que a verdade é benéfica tanto pra quem conta, quanto pra quem a escuta. O compromisso com a verdade é uma ferramenta muito útil para não esquecer quem somos, pois somo o que falamos e o que fazemos.