sábado, 9 de junho de 2012

Aprahigaha

Colocando o passado, o presente e o futuro nos seus devidos lugares!


Finalmente eu resolvi me enfrentar! Depois de muito adiar, fui em busca do Aprahigaha. Ele é o Yama do desapego; seja dos relacionamentos, como das posses materiais. Aprender a se relacionar com mundo sem se tornar escravo dele.
Materialmente, sempre soube que preciso de muito pouco. Às vezes usava o consumismo como fuga (uma coisa comum nas mulheres, rsrsrs), mas sempre com a consciência de que aquilo me trazia uma satisfação momentânea. Durante esses meses em que busquei trabalhar o desapego, percebi que é muito comum compensarmos uma carência interna com coisas externas: pessoas, roupas, comida etc...Agora, sempre que me sinto assim, busco outras alternativas para me sentir bem...todas elas dentro de mim.
Então comecei a olhar em volta e percebi que tenho muito. Que tenho mais do que realmente preciso para viver. Decidi, então, que era hora de me desfazer de tudo que não cabia mais nessa minha nova forma de me relacionar com o mundo. Reorganizei a casa, doei muitas coisas, e pus muitas outras fora. É impressionante como guardamos coisas com receio de ficarmos sem, ou por apego àquelas coisas. “Ah, essa blusa eu usei há 5 anos atrás quando saí pela primeira vez com o fulano”, por exemplo.
Essa forma de apego, o material, foi bem simples e tranquilo de trabalhar. Em uma semana já me sentia diferente em relação ao mundo material. A mente fica mais limpa e as ideias mais claras. Sem contar que é uma excelente maneira de ter do passado apenas lembranças. E isso é mais que suficiente.
Já o apego emocional...esse foi mais trabalhoso! Depois de me estudar bem, percebi que tenho apego ao ruim, os sentimentos bons não são lembrados com tanta frequência. Que horror isso, né?! Mas como se transformar sem encarar os fatos? Encontrei uma enorme dificuldade em me desfazer de experiências e pessoas negativas. Uma necessidade que com certeza provem de um passado remoto, mas que também não vale a pena procurar sua origem. Apenas me pus a observar o porquê daquilo e trabalhar a carga.
Eu me vi não querendo deixar as coisas irem. Queria me manter na abstração, num relacionamento e com pessoas que não me traziam nada de bom, por me parecer mais confortável, por apego ao que (na minha doce ilusão) havia sido construído. Com o passar dos dias fui aprendendo que das pessoas você deve levar apenas as transformações que elas fizeram em você, e acredite, todas elas são boas!
Tudo tem um tempo pra começar e terminar, e penso hoje, que as pessoas que mais permanecerão com você são aquelas que mais vão te somar, e você a elas, nada tem a ver com dependência. Aprendi que muitas vezes posso não ser o que alguém precisa, e isso se chama humildade. O orgulho nos mantém em velhas crenças, conceitos. Nos impede de sermos livres. 
Quando você não se apega, você não teme nada. Não tem medo de ficar velho, doente, sem dinheiro, etc... Você constrói no presente, vive nele, e fica focado (e isso não deixa de ser uma garantia de futuro!!!). Aliás, viver no presente, e não projetar passado e futuro, é muito mais legal, talvez não tão simples, mas a recompensa é incrível! Depois que se começa, é difícil de parar, porque é bom.

E agora eu sei: o que vai me fazer chegar aonde pretendo não é a projeção no futuro, e sim a disciplina.

Quem entende que o passado e o futuro são abstrações da mente além de se sentir mais feliz, enxerga melhor as oportunidades que a vida mostra. Se você estiver focado no presente, e tiver em mente que até mesmo ele é transitório, muito dificilmente você se sentirá triste, infeliz, ou de mal com o mundo.
Assim como a manhã te tráz a possibilidade de realizar o que você deseja - ali e agora -, a noite leva tudo, pra te dar uma nova oportunidade de fazer o mesmo, ou não. E isso é ser livre do apego, pois a vida funciona de maneira análoga, penso eu!
No entanto, isso não tem nada a ver com responsabilidade e respeito, aliás, tem sim. Quanto mais você compreende que todas as pessoas que te cercam, e que passam pela a tua vida te somam, mais respeito você nutre por elas, se livrando das intenções de posse, propriedade, ou direitos sobre elas.

Quando eu deixo de ser aquele que sou, eu me torno aquele que eu poderia ser.
E não se apegar a quem você é te abre um espectro de possibilidades de como existir.

Namastê!