quinta-feira, 29 de julho de 2010

A vivência do Satya




Satya é o Yama da verdade. A verdade que deve ser dita sem agressão ou ofensa a alguém.

Vivenciar o Satya foi uma tarefa bem mais complexa do que eu esperava. Exigiu vigilância constante dos pensamentos, já que temos uma tendência pronta para contar pequenas mentiras no cotidiano. São mentiras aparentemente inofensivas, mas ditas o tempo todo: uma justificativa de atraso, um motivo inventado para dizer um não a alguém; o porquê para se recusar um convite, e por aí vai.

Ao longo do dia, me deparei com inúmeras situações que exigiam flexibilidade, mas que para solucioná-las mais facilmente, eu optava por contar uma mentira. Isso me levou a refletir que embora eu estivesse resolvendo a situação, eu estava me afastando dos meus propósitos, buscando atalhos para contornar situações, evitando ‘’incomodações’’.

Por isso, para estar o mais próxima possível da verdade, foi preciso aprender a dizer NÃO, de maneira educada, mas firme. Percebi que grande parte das minhas inverdades diárias decorre da vontade que tenho de não desapontar as pessoas. E perceber isso me levou reavaliar como me conduzo os meus relacionamentos diários. A imagem que eu quero que as pessoas tenham a meu respeito.

Com isso percebi que a mentira, mais do que prejudicar o próximo (premissa inquestionável), nos afasta de quem nós somos de fato. Das nossas verdades. E se ser é existir dentro do que fazemos, sempre que contamos uma mentira deixamos de ser nós mesmos, de existir dentro dos nossos propósitos, passando a permanecer fora dos objetivos.

Assim, vivenciar este Yama me permitiu compreender que a verdade é benéfica tanto pra quem conta, quanto pra quem a escuta. O compromisso com a verdade é uma ferramenta muito útil para não esquecer quem somos, pois somo o que falamos e o que fazemos.

sábado, 22 de maio de 2010

Pratica que o resto vem!


A partir de hoje, eu vou começar a postar uma série sobre os oito passos para uma boa prática e um bom resultado dentro do Yoga. Praticar as ásanas (exercícios físicos) é apenas uma pequena parte do que realmente é o mundo de um Yogin.
Apesar de elas terem tido maior projeção no Ocidente, existem outras recomendações que devem ser seguidas quando se busca transcender dentro do Yoga. Patanjali, no século VI antes de Cristo, sistematizou a técnica em forma de 196 Sutras.
Dentro desses sutras existem os 8 passos que asseguram uma boa prática. Exercitando com regularidade, além de um corpo saudável, é possível conquistar a estabilidade física e mental. A prática constante reduz a fadiga, alivia os nervos, aumenta o equilíbrio emocional e a agilidade. Então, pratica que o resto vem!

Os 8 passos:

1- YAMAS [códigos morais e de estudo]
2- NYAMAS [purificação e estudo]
3- ASANA [postura física]
4- PRANAYAMA [controle da respiração]
5- PRATYAHARA [controle dos sentidos]
6- DHANURANA [concentração]
7- DHYANA [meditação]
8- SAMADHI [contemplação]

YAMAS e NYAMAS

Palavras de origem sânscrita, expressam condutas éticas que ajudam a tranquilizar a mente e devem ser praticadas paralelamente no dia a dia, aos poucos. Estão codificados como ‘’as regras’’ ou códigos para viver em um estado de consciência virtuoso, compilados no Hatha Yoga Pradipika de Gorakshanatha.

1 - Yamas - o que NÃO devemos fazer:

Ahimsa - não violência - não agressão. Evitar ser agressivo e violento contra si e contra qualquer ser vivo. Seja em palavra, pensamento ou ação. Respeitar-se, corpo e mente.
A pessoa se torna mais simpática e agradável. Colocar-se no lugar do outro e perceber que ele sofre quando está descontrolado. Distanciar-se da fúria do outro.

Satya - verdade em palavra, pensamento e ação. Dizer a verdade sem agredir e ofender a pessoa.

Asteya - não roubar o tempo, dinheiro e idéias.

Bramacharya - controle sobre o sexo para não tornar obsessivo e compulsivo. A energia sexual é usada para atingir o SAMADHI- estado de hiperconsciência.

Aprahigaha - DESAPEGO - do resultado da prática, de relacionamentos, das posses materiais. É bom ter dinheiro, o que não é bom é ser escravo dele, assim como é bom ter um relacionamento, mas sem ser escravo.

2 - Nyamas - o que devemos fazer:

Saucha - pureza interna e externa.

Santosha - contentamento por ser - Ser contente e agradecido com o que "É" e possui dá uma sensação de satisfação e paz. Muito diferente de ser acomodado. A sabedoria é buscar o equilíbrio entre a superação e respeitar o próprio limite em todas as esferas da vida.

Tapas - austeridade sobre si - disciplina-força de vontade para atingir objetivos "maiores".

Swadhyaya - estudo de textos sagrados, literatura e mantras. Observa-se- atos, emoções, palavras e pensamentos.

Ishvara Pranidhana - entrega a DEUS - força soberana- DEUS/deidade do coração do praticante.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Uma breve introdução sobre o Hatha Yoga

A expressão Hatha Yoga poderia ser traduzida, dividindo-se as sílabas, nas palavras "ha" (sol) e "tha" (lua), cujo significado é atribuído à busca do equilíbrio das forças solar e lunar, masculina e feminina como objetivo final dessa prática.

Segundo praticantes, o Hatha Yoga uniu a idéia tântrica do corpo como templo da divindade com a visão vedântica de que tudo que existe é a expressão do Ser, que é criador e agente material da criação. Dá muita importância à prática das purificações (shat karma), mas também leva em conta seus aspectos sutis, como o despertar da energia potencial (kundaliní), técnicas de percepção do som supersutil interior (nada), a absorção final da atenção na realidade transcendental (laya) e a iluminação (samádhi).

Assim como as demais escolas de yoga, visa transcender a consciência, mas a metodologia utilizada é baseada no fortalecimento do físico. Seus praticantes acreditam que o corpo deve estar bem trabalhado e preparado para suportar a força e o peso da elevação espiritual. Ainda na visão iogue, os ásanas devem ser praticados com consciência e foco nos objetivos do Hatha Yoga, respeitando os limites do corpo e buscando alcançar o relaxamento.


De acordo com a Gheranda Samhita existem oito milhões e quatrocentos mil ásana descritas por Shiva. De todos eles, oitenta quatro são os melhores e entre estes, trinta e dois consideram-se úteis para os que habitam este mundo, o livro descreve essas 32 ásanas, mas não as outras. O Hatha Yoga Pradipika diz que Shiva ensinou oitenta e quatro ásanas, no livro são descritas 14 ásanas, onde as quatro mais importantes dessas são: Siddhásana, Padmásana, Simhásana e Bhadrásana.