Finalmente eu resolvi me enfrentar! Depois de muito adiar,
fui em busca do Aprahigaha.
Ele é o Yama do desapego; seja dos relacionamentos, como das posses materiais. Aprender
a se relacionar com mundo sem se tornar escravo dele.
Materialmente, sempre soube que preciso de muito pouco. Às vezes
usava o consumismo como fuga (uma coisa comum nas mulheres, rsrsrs), mas sempre
com a consciência de que aquilo me trazia uma satisfação momentânea. Durante
esses meses em que busquei trabalhar o desapego, percebi que é muito comum
compensarmos uma carência interna com coisas externas: pessoas, roupas, comida
etc...Agora, sempre que me sinto assim, busco outras alternativas para me
sentir bem...todas elas dentro de mim.
Então comecei a olhar em volta e percebi que tenho muito. Que
tenho mais do que realmente preciso para viver. Decidi, então, que era hora de
me desfazer de tudo que não cabia mais nessa minha nova forma de me relacionar
com o mundo. Reorganizei a casa, doei muitas coisas, e pus muitas outras fora. É
impressionante como guardamos coisas com receio de ficarmos sem, ou por apego
àquelas coisas. “Ah, essa blusa eu usei há 5 anos atrás quando saí pela
primeira vez com o fulano”, por exemplo.
Essa forma de apego, o material, foi bem simples e tranquilo
de trabalhar. Em uma semana já me sentia diferente em relação ao mundo
material. A mente fica mais limpa e as ideias mais claras. Sem contar que é uma
excelente maneira de ter do passado apenas lembranças. E isso é mais que
suficiente.
Já o apego emocional...esse foi mais trabalhoso! Depois de
me estudar bem, percebi que tenho apego ao ruim, os sentimentos bons não são
lembrados com tanta frequência. Que horror isso, né?! Mas como se transformar
sem encarar os fatos?
Encontrei uma enorme dificuldade em me desfazer de experiências e pessoas
negativas.
Uma necessidade que com certeza provem de um passado remoto, mas que também não
vale a pena procurar sua origem. Apenas me pus a observar o porquê daquilo e
trabalhar a carga.
Eu me vi não querendo deixar as coisas irem. Queria me
manter na abstração, num relacionamento e com pessoas que não me traziam nada de
bom, por me parecer mais confortável, por apego ao que (na minha doce ilusão)
havia sido construído. Com o passar dos dias fui aprendendo que das pessoas você
deve levar apenas as transformações que elas fizeram em você, e acredite, todas
elas são boas!
Tudo tem um tempo pra
começar e terminar, e penso hoje, que as pessoas que mais permanecerão com você
são aquelas que mais vão te somar, e você a elas, nada tem a ver com
dependência. Aprendi que muitas vezes posso não ser o que alguém precisa, e
isso se chama humildade. O orgulho
nos mantém em velhas crenças, conceitos. Nos impede de sermos livres.
Quando você não se apega, você não teme nada. Não tem medo
de ficar velho, doente, sem dinheiro, etc... Você constrói no presente, vive
nele, e fica focado (e isso não deixa de ser uma garantia de futuro!!!). Aliás,
viver no presente, e não projetar passado e futuro, é muito mais legal, talvez
não tão simples, mas a recompensa é incrível! Depois que se começa, é difícil
de parar, porque é bom.
E agora eu sei: o que
vai me fazer chegar aonde pretendo não é a projeção no futuro, e sim a
disciplina.
Quem entende que o passado e o futuro são abstrações da mente além de se sentir mais feliz, enxerga melhor as oportunidades que a vida mostra. Se você estiver focado no presente, e tiver em mente que até mesmo ele é transitório, muito dificilmente você se sentirá triste, infeliz, ou de mal com o mundo.
Quem entende que o passado e o futuro são abstrações da mente além de se sentir mais feliz, enxerga melhor as oportunidades que a vida mostra. Se você estiver focado no presente, e tiver em mente que até mesmo ele é transitório, muito dificilmente você se sentirá triste, infeliz, ou de mal com o mundo.
Assim como a manhã te tráz a possibilidade de realizar o que
você deseja - ali e agora -, a noite leva tudo, pra te dar uma nova oportunidade
de fazer o mesmo, ou não. E isso é ser livre do apego, pois a vida funciona de
maneira análoga, penso eu!
No entanto, isso não tem nada a ver com responsabilidade e
respeito, aliás, tem sim. Quanto mais você compreende que todas as pessoas que
te cercam, e que passam pela a tua vida te somam, mais respeito você nutre por
elas, se livrando das intenções de posse, propriedade, ou direitos sobre elas.
Quando eu deixo de ser aquele que sou, eu me torno aquele
que eu poderia ser.
E não se apegar a quem você é te abre um espectro de possibilidades de como existir.
E não se apegar a quem você é te abre um espectro de possibilidades de como existir.
Namastê!

Desapego. Esta é minha luta diária, alguns dias venço, outros sou vencida. Acho que já evolui um pouco, meço isto através do meu nível de satisfação no dia-a-dia. Não é fácil ter este modo de vida, pois sou constantemente julgada e, por vezes, condenada por "ser feliz".
ResponderExcluirBom saber que convivo com pessoas, que compartilham os mesmos pensamentos que eu, num ambiente que tem me sido cada vez mais hostil.
Parabéns mais uma vez pelo texto.